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Quais os planos da Microsoft para mercado japonês?

Com vendas bem abaixo do esperado, a companhia de Bill Gates precisa rever seus planos na terra do sol nascente.



Nos anos 2000, Bill Gates deixou claro aos funcionários da Microsoft que, quando houvesse uma ligação de Hiroshi Yamauchi, ex-presidente da Nintendo, o americano deveria ser contactado imediatamente.

A intenção na época era adquirir a Big N pela bagatela de 25 bilhões de dólares, cifra que assustou até mesmo os japoneses. O plano da Microsoft era entrar com tudo no mercado de consoles e comprar a Nintendo, sem dúvida, aceleraria esse processo e elevaria a empresa a um outro patamar.


O que sabemos é que o plano não foi adiante e a empresa de Redmond teve de se virar. Pode-se dizer que eles se deram bem, afinal, hoje o Xbox é uma das três grandes marcas de console, atingindo cifras milionárias e com uma base fiel de fãs.

Entretanto, é bom lembrar que apesar das idas e vindas das gerações, o Xbox nunca conseguiu um desempenho em um dos mercados mais importantes: o japonês.

Para se ter uma ideia, o Xbox One está em último lugar no ranking de vendas perdendo inclusive para o seu antecessor, o Xbox 360. Na frente, encontramos soberanos, o PS4 e o Switch, além das versões portáteis PSVita, 2DS e 3DS. A vida realmente não está fácil para a Microsoft no Japão.

As inúmeras tentativas

Se você acha que a tentativa de compra foi a única aventura da empresa de Bill Gates para tentar conquistar o público japonês, nós vamos mostrar que não. Inúmeras outras vezes, inclusive, recentemente, os executivos tentaram de todas as formas alavancar as vendas em terras nipônicas.

Quem se lembra de Blue Dragon? O jogo foi lançado exclusivamente para Xbox 360, com direção de Takuya Matsumoto e o design do game ficou nas mãos de Hironobu Sakaguchi, conhecido por seus trabalhos na franquia Final Fantasy.





O plano era bem óbvio: dispor de uma equipe que entende o mercado japonês (daí a escolha da direção e design serem exclusivas de lá) e lançar um jogo multimídia (além do game, mangá e anime) para atrair o grande público. De fato o game foi um sucesso, mas não aquele sucesso que a companhia esperava a fim de desbancar a concorrência.

É bom lembrar que recentemente a Platinum Games, tradicional estúdio que sempre trabalhou com a Nintendo, fez uma parceria com a empresa de Bill Gates para a criação de Scalebound, um exclusivo do Xbox.

O game tinha uma proposta bem interessante com uma dinâmica entre um humano e o dragão e o enfrentamento de criaturas gigantes e poderosas. A nova IP tinha um pouco das mecânicas de evolução dos RPGs, personalizações, o combate hack and slash e os monstros gigantes na tela ao estilo Monster Hunter. Tinha tudo para dar certo, pois havia um pouco de cada coisa que os japoneses adoram. Sabe-se lá por qual motivo, Scalebound foi cancelado.





As últimas cartadas na Microsoft tem sido no que diz respeito a jogos baseados em animes e que acabaram ganhando anúncios oficiais nas conferências da companhia na E3 e versões mais robustas no console. Como exemplo podemos citar o incrível Dragon Ball FighterZ e o ‘ok’ Jump Force.

Após falhar miseravelmente, o que restou agora? Desistir do mercado japonês? 

A nova aposta tem nome

A Microsoft tentou, tentou e em cada uma das tentativas parecia não perceber o óbvio. Não era preciso uma análise detalhada para entender que os japoneses não são apenas fãs de games de qualidade e ao estilo nipônico de ser. Há um fator nacionalista, uma espécie de concepção inata de valorização dos patrimônios nacionais.





E adivinha? Nintendo e Sony são puramente japoneses e motivo de orgulho para a nação da ilha. Lutar contra isso é lutar contra toda uma cultura e, ainda que a improvável vitória venha, demoraria anos.

Mas a Microsoft parece ter retomado um antigo namoro. Mandou aquele insuportável “oi sumido” e deu, pasmem, deu certo. A nova aposta tem nome e todos nós conhecemos. Ela se chama Nintendo.

Se não pode com eles…

O serviço de assinatura Xbox GamePass vem se consolidando como um sucesso absoluto. A cada dia que passa mais parcerias e mais jogos entram na plataforma e, conforme o próprio presidente do Xbox disse, são esses serviços (GamePass e Live) que acabam dando lucros significativos para a empresa.





Sendo assim, ao invés de lutar contra o que se é impossível ganhar, a Microsoft pode dar uma mãozinha para a Nintendo, oferecendo seus excelentes serviços, e todo mundo sair ganhando. Ora, como assim?

Sabemos que a Nintendo não é das melhores em oferecer uma rede online com muitas opções e recursos. Os consoles antigos (Wii, Wii U, 3DS…) que o digam. A Microsoft resolveria esse problema facilmente colocando não só o GamePass como, por exemplo, a própria Live.

Achou estranho? Pois saiba que o crossplay do Minecraft entre Switch e Xbox faz com que a Live rode no Switch. A ideia já está sendo implementada e não tem sido ruim, muito pelo contrário. Assim, pelo outro lado, a companhia americana ganharia um espaço no Switch e consequentemente no Japão, podendo lançar suas grandes produções por lá e conquistar o público japonês.

A aposta vai dar certo?

Se todos os rumores se confirmarem, o grande plano da Microsoft para o Japão será a Nintendo. E, se pensarmos a nível macro, a principal concorrente da americana é a Sony e não a Nintendo. Isso foi dito diversas vezes, ainda que de forma indireta, pelos respectivos representantes. 

Vale lembrar que a Nintendo por si só se retirou da “guerra dos consoles”, pois suas gerações são sempre lançadas em momento diferente das demais que sempre lançam juntas ou com um ano de diferença no mínimo. A empresa de Mario, Zelda e cia. também já declarou que o Switch é uma espécie de console que pode conviver muito bem com um outro (lê-se PS4 e Xbox One).

Como a Microsoft adquiriu recentemente diversos estúdios e produções, ela pode muito bem disponibilizar algumas IPs no Switch exclusivamente para o território japonês ou, quem sabe, uma de suas IPs principais.

Outra ideia interessante seria a possibilidade de vermos participações especiais de personagens da Microsoft em jogos da Nintendo e vice-versa. Um MasterChief em Super Smash? Quem sabe… Uma skin do Mario em algum jogo da Microsoft também seria legal. No final das contas, as duas empresas, nós e os gamers japoneses ganharíamos e muito com essa parceria.

Ao que nos resta é esperar algum anúncio interessante na E3 2019 que, com certeza, já promete e muito.


Rafael C. Oliveira é goiano e já foi astro do rock (no Guitar Hero), líder de uma grande civilização (no Age of Empires) e bem casado (no The Sims). Ele diz que está escrevendo um livro de ficção científica numa tentativa de fazer novos amigos assim. Você pode tentar convencê-lo de desistir dessa ideia absurda no Twitter ou Facebook dele.

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