Entrevista

Quantum Break: Estado Zero — Entrevista com Cam Rogers

Confira uma conversa com Cam Rogers, escritor do livro de Quantum Break e roteirista do jogo AAA da Remedy.

O mês de abril no Xbox Blast foi repleto de matérias especiais dedicadas a comemoração do aniversário de um ano de lançamento do jogo de ficção científica de tiro em terceira pessoa Quantum Break (XBO/PC), da Remedy. Tivemos o Top 10: Curiosidades sobre Quantum Break; Top 10: Easter Eggs em Quantum Break e o Guia de Conquistas de Quantum Break. Para encerrar esse pequeno especial, entrevistamos com exclusividade o escritor e roteirista de jogos australiano Cam Rogers, responsável pelo livro Quantum Break: Estado Zero e um dos roteiristas da nova IP da Remedy.

Olá, sou a Karen, do site brasileiro GameBlast, e em primeiro lugar gostaria de agradecê-lo pela disponibilidade para esta entrevista. É realmente uma honra poder falar com você, sr. Rogers, sou muito fã da Remedy. Seu livro, Quantum Break: Estado Zero, é a melhor ficção científica sobre viagem no tempo que já li desde a novelização de Interestelar, de Greg Keyes, baseada na ideia do físico Kip Thorne! Assim, a primeira pergunta é: como foi elaborar uma trama que envolvesse tantas teorias da física quântica como Teoria do Gato de Schrödinger, Teoria dos Universos Paralelos e Teoria das Cordas? Houve muito estudo para criar as regras da ciência de Quantum Break?

Cam Rogers: Uma das primeiras coisas que fizemos quando começamos a nos aprofundar na história do jogo foi passar algum tempo com um físico quântico, alguém que trabalhava para o CERN (Organização Europeia para Pesquisa Nuclear). Com base nessas conversas, e com a contribuição adicional dele, nós desenvolvemos a maneira em que — pela estimativa dele — a viagem no tempo seria mais provável. Isso embasou o projeto da máquina do tempo, a maneira em que ela foi usada, e as limitações que, por sua vez, levaram a alguns dos dramas de Quantum Break.

Um livro tem orçamento ilimitado e não é limitado pela logística do desenvolvimento de jogos, então eu aproveitei essa oportunidade para explorar as ramificações da viagem no tempo um pouco mais. Não é com frequência que você consegue uma segunda mordida na cereja do bolo, então ser capaz de dar a Beth seu tempo no centro das atenções, e mostrar o que poderia acontecer com um universo em que o tempo está em colapso — como seria e o que sentir em um momento desses — foi imensamente satisfatório.


Quantum Break: Estado Zero faz algumas referências a ícones da ficção científica como o cientista Carl Sagan, os escritores H. G. Wells e Douglas Adams, a série Arquivo X, os filmes Matrix e Star Wars e a revista Scientific American. Quais foram suas inspirações para escrever o livro de Quantum Break?

Cam Rogers: É mais uma questão de quais foram nossas inspirações no desenvolvimento do jogo. O livro foi construído a partir disso.

Nós partimos de um princípio básico e fundamental da ciência, perguntando "e se?". Então exploramos as causas e os efeitos lógicos para postular o que uma dada situação poderia parecer uma vez que a poeira abaixasse. Foi um caso de colocar os personagens nesse princípio, perguntando-nos como esta situação exterior refletia em suas preocupações, temas e conflitos internos, e usando isso para criar o melhor tipo de narrativa dramática e significativa que pudéssemos.


O maravilhoso de ler Quantum Break: Estado Zero é conhecer mais sobre a história e o passado dos protagonistas. Muito do que está escrito foi parte do material não usado no jogo, como a vida na fazenda de Jack e Will. Assim, o livro explora caminhos não abordados no game ou há um acréscimo de caminhos e histórias que complementam o que jogamos em Quantum Break?

Cam Rogers: Parte do que está no livro decorre do material não usado no jogo, mas grande parte dele também foi criada especificamente para o livro.

Eu estive muito perto da história do jogo por cerca de três anos da minha vida, por isso escrever o livro tomou relativamente pouco tempo — cerca de quatro meses. Não é uma novelização de Quantum Break, é uma linha do tempo alternativa a de Quantum Break. Um conceito crítico tanto para o game quanto para o livro.


Por Quantum Break: Estado Zero explorar uma linha do tempo alternativa e não disponível no jogo, me deu permissão para construir uma história em torno de personagens e lugares que não conseguimos aprofundar em Quantum Break: a experiência de Beth, Martin Hatch e quem ele é, e o próprio Fim do Tempo. Temos uma compreensão mais íntima do vilão da história, Paul Serene, e da relação que ele compartilha com Jack Joyce.

Eu não tinha nenhum interesse em descrever as cenas de ação do jogo, e imagino que as pessoas teriam pouco interesse em lê-las, então Quantum Break: Estado Zero usa seu orçamento ilimitado para explorar perguntas não respondidas, para colocar o leitor dentro da experiência de se mover dentro de um lapso temporal, a mentalidade do vilão, o caos do tempo congelado no Fim do Tempo, o aspecto torturador dos deslocadores. Aí estava o verdadeiro apelo de trabalhar no livro.


O livro e o jogo trabalham muito com o conceito de memória e a sobrecarga de recordações devido a manipulação do tempo. Como foi elaborar a ideia de memória e tempo em Quantum Break: Estado Zero?

Cam Rogers: Pode haver algo de lindo e melancólico na perda e no adeus. É algo que todos nós podemos nos identificar. Uma das coisas que me intrigou sobre a história de Beth foi a ideia dela ter dito adeus, sabendo que você ainda estaria lá para dizer "olá"; a ideia de estar apaixonado por uma pessoa, mas crescer e envelhecer enquanto eles permanecem os mesmos... As dinâmicas mudam por causa disso. Dez anos ou mais passaram para você, três horas para eles. Eles ainda estão lidando com problemas que você resolveu há dez anos, então onde uma vez havia paixão há o quê agora?

Há uma pequena cena em que Jack e Beth dirigem por Riverport no passado. É uma coisa pequena, mas provavelmente uma de minhas cenas favoritas no livro devido a forma sutil — mas significativa — de mostrar sua nova dinâmica.


No livro, Paul Serene possui a pele do braço esquerdo fragmentada devido a Síndrome de Cronum, e em Quantum Break vemos o personagem tentando controlar essas convulsões, mas na mão direita. Esse é o mesmo sintoma relatado em Quantum Break: Estado Zero?

Cam Rogers: Totalmente. É uma das maneiras de como o livro se define em uma linha do tempo alternativo à do jogo.

Um fato que todos os fãs gostariam de conhecer e não é mostrado abertamente no jogo é o famoso Fim do Tempo. Em Quantum Break: Estado Zero, você detalha o acontecimento que marcou a vida de Paul Serene e Beth Wilder. Então, como foi escrever sobre um mundo sem tempo e como isso impactaria os personagens?

Cam Rogers: Era o material que eu mais estava ansioso para escrever: o caos e o nada disso. Também ser capaz de dramatizar a experiência singular que tomou Paul Serene, amigo de Jack, e o transformou em Paul Serene, o homem que pode destruir toda a Criação em uma tentativa equivocada (será?) para salvar o mundo. Foi a melhor chance para nos fazer entendê-lo e sentir por ele, apesar das coisas terríveis que ele faz.


Algo muito presente no livro é a atuação dos deslocadores. Em Quantum Break eles são abordados bem discretamente, mas em Quantum Break: Estado Zero conhecemos um Paul Serene completamente atormentados por essas criaturas atemporais e a Síndrome de Cronum. Deste modo, há uma relação entre a doença temporal de Serene com estes seres fantasmagóricos?

Cam Rogers: Não posso responder sim ou não abertamente, mas a conclusão do livro certamente sugere uma resposta a isso.

Um personagem estrategista e enigmático tanto em Quantum Break: Estado Zero como em Quantum Break é CEO da Monarch Solutions, Martin Hatch. Ele pode ser considerado como alguém que tem um papel fundamental dentro da trama dos deslocadores?

Cam Rogers: Te vejo na próxima pergunta.


Um ponto chave de distinção entre Quantum Break: Estado Zero e Quantum Break é o final. O livro vai além do que é mostrado no jogo e sugere uma conclusão diferente. Existe a possibilidade para uma sequência do livro com o retorno desse personagem?

Cam Rogers: Quantum Break: Estado Zero certamente foi estruturado para fazer sequências possíveis, mas também trabalha muito bem como um livro autônomo. Há um fio solto aqui e ali, colocado deliberadamente para abrir a coisa toda até um segundo livro, se isso for algo que nós sentirmos vontade de fazer em algum momento no futuro.

Para fechar a entrevista: se você tivesse um dos poderes temporais de Jack Joyce e Paul Serene, qual você escolheria e por quê?

Cam Rogers: Como alguém que tende a aprender dos erros cometidos, a capacidade de ver futuros possíveis e escolher em conformidade me pouparia muito tempo e me salvaria de muitas confusões. Acho que eu teria esse poder.


Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no DeviantArt, Wattpad ou Twitter ela aparece.

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