#QuantumBreak1stAnniversary: Quantum Break (XBO/PC), do protótipo à versão final — Parte 2

O que mudou e o que ficou na nova IP da Remedy.

Após conhecermos as principais influências e inspirações para o jogo de ficção científica de tiro em terceira pessoa Quantum Break (XBO/PC), da Remedy, nesta segunda parte do nosso especial sobre a produção de Quantum Break tomaremos contato com o primeiro protótipo de jogo e da série em live action.

Jack Joyce do presente vs Jack Joyce do futuro

O conceito inicial de Quantum Break foi apresentado à Microsoft na forma de um protótipo de gameplay com as principais mecânicas do jogo, como a bifurcação temporal e o clássico bullet time da Remedy. Nesta primeira versão, o jogo mostra os protagonistas Jack Joyce e Beth Wilder durante a explosão da biblioteca da Universidade de Riverport, evento onde começa toda a trama do game.

A demonstração apresenta uma história bem diferente da versão final de Quantum Break. Neste início do projeto, Jack trabalha como segurança da Monarch Solutions e Beth é sua namorada, uma estudante da universidade que fica presa nos escombros da detonação da biblioteca. Outro fator interessante é que as bifurcações temporais, momentos do jogo no qual o jogador escolhe o caminho que irá seguir, cabe a Jack Joyce, não ao vilão Paul Serene.

Jack Joyce como parte da equipe de segurança da Monarch 
Além da inversão de papéis dos personagens citados, o viajante do tempo que vem do futuro para o presente é o próprio Jack Joyce. Durante os acontecimentos do protótipo de Quantum Break, Jack se encontra com seu eu do futuro na biblioteca da Universidade de Riverport e é ameaçado por sua versão pós-apocalíptica.

As diferenças de enredo e conexão entre os personagens é resultado das primeiras versões da história e da jogabilidade de Quantum Break. O protótipo também apresenta uma introdução aos poderes temporais de Beth, que seria uma personagem jogável juntamente com Kate Ogawa e Nick Marsters.

Beth Wilder como personagem jogável

O vilão no controle

Originalmente, a Remedy tinha a intenção de colocar quatro personagens jogáveis cuja mecânica permitiria ir e voltar no tempo para corrigir escolhas ou mudar caminhos da narrativa, mas com impactos diretos nas bifurcações temporais. Algo semelhante ao que é feito no drama episódico Life Is Strange (Multi), da Dontnod Entertainment.

No conceito inicial de Quantum Break, o vilão Paul Serene jamais foi um personagem jogável. Contudo, o diretor criativo Sam Lake achou que a ideia de quatro personagens com poderes temporais iria fragmentar a história e prejudicar a experiência de imersão do jogo. Assim, Lake reorganizou a estrutura da narrativa de forma que a história principal girasse em torno de Jack Joyce.

Bifurcação temporal com Jack Joyce no protótipo de Quantum Break
Com o foco direcionado para o protagonista, Lake considerou a ideia de trazer o vilão Paul Serene como um antagonista tão importante quanto o herói em Quantum Break. Assim, Serene passou a ser um personagem jogável e a deter o poder de escolher os caminhos que a trama irá tomar.

Série em live action

A ideia de uma série em live action como parte do jogo esteve presente desde o início da concepção de Quantum Break. Juntamente com a demo de gameplay, a Remedy também apresentou à Microsoft a versão inicial do projeto de uma série com elenco real. No protótipo, a série focava na história de um trio de protagonistas liderados por Jack Joyce.

Protótipo da série de Quantum Break
Assim como a primeira demo de jogo, anteriormente a série em live action também tinha um enredo bem diferente da versão final. No trabalho inicial, a trama de Quantum Break era mais voltada a aspectos de paranormalidade do que ficção científica. Na versão demo da série, os poderes temporais eram um gene mutante encontrado em crianças.

A trama original era sobre um grupo de crianças que tinham o poder de ver o passado e o futuro, com destaque para uma menina em especial, que seria uma das protagonistas da história. Além do foco em poderes mutantes, a série também seria uma expansão do gameplay, no qual se desenvolveria mais da história de Jack Joyce e seus aliados contra a Monarch Solutions.

Crianças mutantes com poderes temporais eram o centro do enredo da série de Quantum Break
Personagens não inclusos no game como Jordan, Keller, Ernie e outros foram introduzidos na demo da série. Alguns ganharam novos nomes e tiveram funções realocadas, enquanto outros foram completamente retirados do jogo. Por exemplo, Keller era um cientista criminoso, braço direito de Serene, papel desempenhado na versão final por Martin Hatch.

Da mesma forma, o vilão Paul Serene era um homem bem mais inflexível, que usava crianças para seus experimentos sobre viagem no tempo. Ao contrário do antagonista atormentado da versão final, o Serene original não se preocupava com o destino do mundo ou a amizade com Jack Joyce.

Keller era a antiga versão de Martin Hatch
Depois do sinal verde da Microsoft para produção do jogo, Quantum Break passou por um processo de polimento gráfico, reestruturação de narrativa e de jogabilidade, bem como uma revisão do papel e relação entre os personagens. Assim, em 2013, a Remedy lançou a primeira demo pública do jogo durante a E3. Contaremos tudo na próxima e última parte do nosso especial Quantum Break, do protótipo à versão final.

Revisão: Vitor Tibério
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no Twitter ou DeviantArt ela aparece.

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