Bem-vindo a uma nova geração: confira nossas impressões após um mês com o Xbox One!

Depois de um ano cheio de polêmicas e controvérsias quanto ao seu novo console, a Microsoft finalmente lançou o Xbox One. Com a promessa ... (por Gabriel Vlatkovic em 05/01/2014, via Xbox Blast)


Depois de um ano cheio de polêmicas e controvérsias quanto ao seu novo console, a Microsoft finalmente lançou o Xbox One. Com a promessa de ser muito mais do que um simples videogame e a proposta de transformar o novo aparelho em uma central multimídia, o Xbox One é um console robusto e com muito potencial, mesmo que algumas coisas ainda precisem muito ser melhoradas para ficarem ideais. Confiram agora nossas primeiras impressões da nova máquina da Microsoft!


O console

Ao contrário das impressões que as primeiras imagens do console transmitiam, o Xbox One é um belíssimo aparelho. Metade fosco, metade Black Piano, a elegante (e gigantesca) caixa preta combina com qualquer ambiente e impõe respeito com seu visual moderno e discreto. Vale notar que a Microsoft aprendeu muito com os erros cometidos no início da geração passada e tratou de encher o console de saídas de ar para que ele não superaqueça, o que parece estar dando certo, já que dificilmente meu console  fica muito quente, mesmo quando ligado por muitas horas seguidas.

O imponente Xbox One
Diferentemente de qualquer outro console já lançado na história, o Xbox One conta com uma entrada e uma saída HDMI, para que seja possível ligar seu decodificador de TV a cabo ou até mesmo outro console diretamente no Xbox. Infelizmente, a funcionalidade ainda precisa de algumas melhorias, pois quando transmitida pelo Xbox, a imagem de outros dispositivos como TV e videogame acabam apresentando um pouco de lentidão se comparadas a quando estes estão instalados diretamente na TV. Realizei testes com meu decoder de TV a cabo, um Wii U e um PS3, e todos apresentaram lentidão. Mesmo assim, a funcionalidade promete ser uma das mais interessantes do Xbox One, já que com suas robustas configurações é possível alternar entre jogos, programas de TV e outros aplicativos com um simples comando.

O Kinect 2.0

Apesar de muito alardeado como uma grande evolução em relação ao modelo anterior, o Kinect 2.0 ainda fica devendo em diversos aspectos e ainda não oferece precisão o suficiente para se tornar um substituto completo de uma interface por botões tal como são os controles. Em primeiro lugar, controlar a interface do console por movimentos ainda não é nada intuitivo, de maneira que diversas vezes você iniciará aplicativos querendo apenas ver outra página do menu. Este problema ocorria com o Kinect do Xbox 360 e parece não ter sido resolvido com esta nova versão da câmera.

O Kinect ainda precisa de muitos ajustes

Outro ponto a ser ressaltado é que nem sempre o equipamento funciona nos jogos. Ao tentar jogar a versão de demonstração do novo Kinect Sports fui surpreendido com uma mensagem de que havia obstáculos entre eu e a câmera, de maneira que não seria possível iniciar a prova. O estranho é que a câmera me reconhecia o tempo todo e eu conseguia navegar pelos menus do jogo tranquilamente, sendo que o problema só surgiu na hora de iniciar o jogo propriamente dito. Tentei jogar em dois ambientes diferentes e em nenhum deles obtive sucesso, e o console continuava a teimar que havia um obstáculo, sendo que não havia nenhum.

Acho que temos que tentar jogar no vácuo para funcionar...
Mas nem tudo é tão terrível assim com a nova câmera do console. Utilizar Skype via Xbox One é uma experiência única, dada a enorme resolução do Kinect e a excelente qualidade dos microfones embutidos nele. Com um campo de visão muito amplo, o Kinect é capaz de acompanhar os movimentos da pessoa seguindo-a com suas lentes e o resultado não poderia deixar de ser incrível! Além disso, a câmera reconhece os jogadores cadastrados no console imediatamente após ele ser ligado, não havendo a necessidade de selecionar o perfil de jogador e nem ir a um menu específico para se conectar na Live. Tudo é feito automaticamente assim que o console reconhece seus donos, de maneira que se houver mais de uma pessoa no ambiente que possua conta no console, ambas serão reconhecidas e receberão as boas vindas de seu console. Além disso, o Kinect é capaz de reconhecer os jogadores até quando o ambiente está escuro, já que ele possui lentes capazes de enxergar ambientes assim. É o Big Brother da vida real, no bom sentido... eu acho.

O Skype no Xbox One é incrível!
Por fim, ainda há uma das mais alardeadas funcionalidades do console: a dos comandos de voz. Apesar de nem sempre reconhecer o que é pedido, o Kinect desempenha um bom trabalho em reconhecer os comandos do jogador. Cerca de 90% da vezes em que tentei comandar o console com minha voz, tudo correu rapidamente e sem erros de percurso. Além disso, dá para notar claramente que o sistema operacional do Xbox One foi desenvolvido com essa funcionalidade em mente, já que é muito mais rápido acessar qualquer coisa do console via comandos de voz. O problema desta configuração é que nem todo mundo curte ficar falando sozinho com seu console, mas isso se torna quase necessário, já que os menus do console não são nada intuitivos para serem utilizados com o controle.

O controle

Apesar de fisicamente muito parecido com o controle do Xbox 360, o utilizado pelo Xbox One traz uma série de melhorias significativas em relação a seu antecessor. Com um formado mais ergonômico e alavancas muito mais confortáveis, o controle que já era excelente se tornou ainda melhor. As alavancas, um pouco mais côncavas que às dos Xbox 360, fazem com que os dedos do jogador se encaixem perfeitamente a elas, de maneira que os comandos são realizados com muito mais precisão. Além disso, o D-Pad finalmente deixou de ter suas direções unidas às diagonais, adotando um formato mais tradicional, tal como vemos nos consoles da Nintendo e da Sony. Mas a grande estrela do controle é seu novo sistema de vibração: com pontos independentes de reação em seus gatilhos, o controle vibra de acordo com suas ações durante os jogos. O melhor exemplo até o momento é em Forza Motorsport 5, em que ao acelerar com o gatilho direito, o controle faz com que este botão vibre, simulando o efeito de se utilizar um equipamento com Force Feedback. Ao adentrar em um terreno irregular, o gatilho vibra novamente e dificulta o controle sobre o veículo. Se no papel já parece espetacular, garanto que ao jogar um simulador assim, tudo se torna mais imersivo e divertido de maneira que o controle do console acaba sendo, por si só, uma alternativa aos caríssimos volantes com a Force Feedback disponíveis no mercado.

Mais ergonômico e com funcionalidades incríveis, o novo controle não decepciona

Infelizmente, nem tudo são flores nem para esse excelente controle. Por alguma razão desconhecida, a Microsoft ainda insiste em utilizar pilhas ao invés de baterias recarregáveis para o controle funcionar. É claro que é possível comprar o Kit Play and Charge, que traz uma bateria e um cabo para que seja possível jogar enquanto o controle carrega, mas chega a ser ridículo ter que desembolsar algo por isso sendo que a Sony utiliza baterias recarregáveis desde o PlayStation 3 e até o Wii U já não sofre mais desse problema. Possuir um console tão potente e moderno como o Xbox One e, ao mesmo tempo, ter que se preocupar com pilhas é algo que chega a ser vergonhoso nessa altura do campeonato.

Para se jogar tranquilamente o acessório é essencial

O sistema operacional

Apesar de muito bonito, o sistema operacional do Xbox One é um retrocesso em relação ao utilizado pelo Xbox 360. Com o intuito de tornar todas as funcionalidades do console integradas, a Microsoft deixou de lado as abas de jogos, música, filmes e interações sociais para uma única tela, que unifica todas as funcionalidades. Apesar de parecer bom no papel, na prática isso só torna a navegação mais confusa, fazendo com que o jogador perca um certo tempo tentando encontrar o que deseja utilizar. É claro que é possível realizar marcações, e trazer para a página principal os aplicativos mais utilizados por você, mas as abas que diferenciavam funções fazem bastante falta em um primeiro momento. É claro que tudo pode ser contornado pelos comandos de voz, já que o console executa instantaneamente qualquer aplicativo que você desejar com uma simples frase, mas a possibilidade de se navegar pelos menus e explorar cada uma de suas funções se tornou algo mais difícil.

Bonito? Sim. Prático? Não!
Como se não bastasse, o Xbox One não possui uma tela de gerenciamento do disco rígido, de maneira que não é possível verificar a quantidade de espaço livre no console, o que é algo gravíssimo em se tratando de um console em que todos os jogos possuem instalação obrigatória que ocupam muito espaço no HD, como Ryse, que ocupa nada menos do que 35 GB do console. Dentre outros problemas primários, o console não sinaliza quando as pilhas do controle estão acabando, de maneira que você pode ser surpreendido com o seu controle desligando no meio de uma partida. Como se já não bastasse toda essa frustração, de vez em quando o console sai de aplicativos em execução sem nenhum motivo aparente (inclusive isso já aconteceu em alguns jogos).

É possível comprar filmes, músicas, jogos e aplicativos via Xbox Live
Para a sorte da Microsoft e de toda a comunidade, é possível atualizar o sistema operacional com o lançamento de patches e firmwares, de forma que boa parte desses problemas devem ser resolvidos dentro dos próximos meses e, certamente, dentro de um ano teremos um Xbox One muito diferente do que nos foi entregue hoje pela Microsoft.

Gravação de conteúdo

Muito divertida e útil, a funcionalidade de gravação do Xbox One conta com as vantagens proporcionadas pelo Skydrive para se diferenciar do PlayStation 4. Durante os jogos é possível gravar até cinco minutos de gameplay para então editá-lo da forma que desejar, dando-lhe um nome, tags, incorporando filtros de imagem e até mesmo um segundo vídeo, filmado pelo Kinect, com comentários e até mesmo reações do jogador. Após devidamente editado, o vídeo pode ser jogado no Skydrive e compartilhado em qualquer rede social ou até mesmo no Youtube. A funcionalidade é uma mão na roda para a criação de guias de conquistas e até mesmo mostrar seus próprios feitos para os amigos.

Gravar e editar videos é tarefa fácil com o Upload Studio

Os jogos

Com uma line-up mais forte que a de seu concorrente direto, o Xbox One não decepciona em seus jogos de lançamento. Forza Motorsport 5 é uma verdadeira ode ao automobilismo mundial, e conta com gráficos soberbos e uma jogabilidade que chega à perfeição. Killer Instinct é o retorno triunfal de uma das mais bem-sucedidas franquia de jogos de luta da era 16-bit, e com um formato Free-to-Play é certamente o jogo mais jogado por early adopters do console. Além disso, o console ainda conta com Dead Rising 3, que impressiona pela quantidade até exagerada de zumbis na tela e seu mundo aberto cheio de nuances e com centenas de armas, roupas e veículos, Ryse: Son of Rome, que apesar de não possuir uma jogabilidade brilhante, mostra que o Xbox One possui a capacidade de gerar gráficos muito impressionantes e que no futuro veremos jogos que farão nossos queixos caírem.

Ryse possui gráficos impressionantes
Além disso, o Xbox One ainda recebeu diversos multiplataformas como Call of Duty: Ghosts, Assassin’s Creed IV: Black Flag, Battlefield 4, Fifa 14 entre outros sucessos que são melhor aproveitados em plataformas de nova geração, mesmo que as atuais não fiquem devendo muito e apresentem gráficos equiparáveis.

Já os multiplataformas não aproveitam muito a capacidade do novo console
Para um futuro próximo, o Xbox One possui promessas que deixarão os jogadores bastante ocupados, como Titanfall, Metal Gear Solid V: Ground Zeroes, Destiny e até mesmo um novo Halo, que foi anunciado na E3 do ano passado. Além disso, o Xbox One pode marcar o retorno triunfal da Rare, desenvolvedora responsável por clássicos como Banjo-Kazooie (N64), Perfect Dark (N64) e Donkey Kong Country (SNES), que anda meio apagada nos últimos anos.

Grande potencial

Apesar de apresentar diversos problemas, sendo alguns até graves, o Xbox One se mostra um console com um imenso potencial, já que apresenta funcionalidades que, quando refinadas, se tornarão excelentes, além de contar com uma biblioteca de jogos bastante robusta e variada. Com o lançamento de novos updates para o seu sistema operacional, o console da Microsoft evoluirá e se moldará como um excelente console para jogos além de trazer a capacidade de se tornar uma central multimídia completa. Talvez não seja o momento para se comprar o console, mas daqui a um tempo ele poderá se tornar indispensável em sua sala.



Revisão: Vitor Tibério
Capa: Stéfano Genachi

Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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