Analógico

O legado do Kinect no Xbox 360 e Xbox One

O Kinect foi descontinuado, mas a diversão permanece.

Depois de dar sinais de cansaço desde a chegada da nova geração, o Kinect foi oficialmente descontinuado pela Microsoft no final do mês de outubro. Contudo, o sensor de movimentos ainda é parte integrante de muitos consoles de Xbox 360 e Xbox One. Deste modo, a herança deixada pelo periférico continuará viva para muitos jogadores.

Codinome Project Natal

Durante sua fase de desenvolvimento, o Kinect possuía o codinome de Project Natal, devido seu lançamento original ser um mês antes do feriado de Natal, em novembro de 2010. A tecnologia chegou como um acessório da versão slim do Xbox 360, lançada no mesmo ano. A partir de uma webcam, o Kinect é capaz de ler os movimentos do jogador, bem como responder a comandos de voz, tornado desnecessário o uso do controle.

O primeiro anúncio público do Kinect aconteceu durante a E3 2009, quando a Microsoft demonstrou a tecnologia com três demos de minigames compatíveis com o periférico: Ricochet (X360), Paint Party (X360) e Milo & Kate (X360), da Lionhead Studios.


Primeira demonstração pública do Kinect pelo vice-presidente da Microsoft, Kudo Tsunoda

O Kinect surgiu em um contexto no qual a tecnologia com sensor de movimentos se popularizava no cenário de jogos eletrônicos, em especial após a chegada do console Wii, da Nintendo em 2006, que trazia um controle remoto que servia para detectar os movimentos do jogador e proporcionar uma experiência próxima do que viria a ser o Kinect.

Porém, antes da sétima geração de consoles, datada de 2005 a 2012, o mesmo princípio aplicado ao Wii e ao futuro Kinect do Xbox 360, os fliperamas e consoles da terceira geração da década de 1980 faziam uso da light gun, as famosas pistolas de luz que acompanhavam o NES, da Nintendo, e o Sega Master System, por exemplo. O que a Microsoft fez no Kinect foi aprimorar essa tecnologia para um sensor de movimentos que não necessitasse de qualquer acessório à mão.

Lembra das pistolas de luz? O Kinect partiu do mesmo princípio

Diversão e saúde

A recepção do Kinect no cenário dos jogos eletrônicos foi de muito sucesso. Inovador para a época, o periférico foi até comparado ao sistema de controles com sensor de movimentos do filme de ficção científica Minority Report: A Nova Lei (Steven Spielberg, 2002). A estreia bem-sucedida do Kinect pôs novamente em cena a divisão de videogames da Microsoft.

Quando se fala em Xbox, automaticamente também lembramos do Kinect, e não é à toa. O sensor de movimentos deu novo fôlego ao console e aumentou as vendas do Xbox 360. O acessório foi a estrela do jogo The Biggest Loser: Ultimate Workout (X360), da Blitz Games Studios, baseado no programa de emagrecimento do canal NBC, The Biggest Loser (Dave Broome, 2004).


Além de uma jogabilidade regada a muitos movimentos, o Kinect também se destacou por ser uma forma de se divertir e cuidar da saúde. Ao fazer uso do sensor de movimentos, o jogador é incentivado a se mexer e se exercitar a todo momento. Mesmo sem fazer parte de programas com foco em exercícios, como o Xbox Fitness, o gamer nunca está parado.

Fora de linha, mas não fora de cena

A era de ouro do Kinect foi na época do Xbox 360, quando surgiram jogos consagrados do periférico como Dance Central (X360), da Harmonix; a duologia Kinect Sports (X360) e Kinect Sports: Season Two (X360), da Rare; Dragon Ball Z for Kinect (X360), da Namco Bandai; Fable: The Journey (X360), da Lionhead Studios; Harry Potter for Kinect (X360), da Eurocom; Kung Fu Panda 2 (X360), da Griptonite Games; e inúmeros sucesso do universos cinematográfico da Disney como Kinect: Disneyland Adventures (X360), da Frontier Developments; Just Dance: Disney Party (X360/Wii), da Land Ho!; e  Kinect Rush: A Disney-Pixar Adventure (X360), da Asobo Studio.

Kinect Rush: A Disney-Pixar Adventure ganhou recentemente uma versão remasterizada para o Xbox One
A oitava geração de consoles marcou o desgaste do Kinect, o periférico ganhou uma versão 2.0 para o Xbox One, contudo a falta de conteúdo para o acessório e o desinteresse de third-parties em apostar na tecnologia, acabaram por fazê-lo ser deixado de lado em novos planos para jogos e aplicativos interativos.

Poucos foram os games lançados exclusivamente para o Kinect do Xbox One, destacando-se Air Guitar Warrior (XBO) e Kung Fu for Kinect (XBO), ambos da Virtual Air Guitar Company; Dance Central Spotlight (XBO), da Harmonix; e Kinect Sports Rivals (XBO), da Rare.

Kung Fu for Kinect é um dos jogos mais divertidos e hilários para o sensor de movimentos
Apesar do futuro do Xbox estar na realidade virtual, isso não desmerece toda a herança e o legado deixado pelo Kinect. A nova geração de consoles vive uma fase que vê na realidade virtual o próximo passo para o progresso tecnológico nos jogos eletrônicos, todavia isso não torna as tecnologias anteriores dispensáveis ou insignificantes. Ao contrário, é por causa de periféricos como as pistolas de luz, os controles do Wii e o Kinect que hoje chegamos a era da realidade virtual.

Revisão: Diogo Mendes
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no Twitter ou DeviantArt ela aparece.

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